Vol. 3, No. 1 - Ano 2026
QUEDAS EM IDOSOS NO BRASIL E A ELEVADA TAXA DE INTERNAÇÃO EM UNIDADES DE TERAPIA INTENSIVA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA
Douglas Bento das Chagas, Roberto Bezerra
Faculdade Novo Horizonte – PE
Resumo
Introdução: O envelhecimento populacional tem redefinido o perfil epidemiológico global e ampliado os desafios para os sistemas de saúde, especialmente no que se refere às síndromes geriátricas. Entre elas, as quedas destacam-se pela elevada incidência, caráter multifatorial e potencial de gerar desfechos graves, como hospitalizações prolongadas e necessidade de cuidados intensivos. No Brasil, o crescimento acelerado da população idosa tem sido acompanhado pelo aumento das internações decorrentes de quedas, evidenciando importante impacto clínico, social e econômico. Objetivo: Analisar criticamente a produção científica acerca das quedas em idosos no Brasil, com ênfase na prevalência de internações em Unidades de Terapia Intensiva, fatores de risco associados, complicações clínicas e repercussões epidemiológicas e assistenciais. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, conduzida por meio de buscas sistemáticas nas bases de dados BDENF, SciELO, LILACS e Web of Science. Foram incluídos estudos publicados entre 2017 e 2023, disponíveis na íntegra, em português, inglês ou espanhol, que abordassem quedas em idosos e seus desfechos clínicos. Após aplicação dos critérios de elegibilidade e análise metodológica, selecionaram-se 20 estudos para compor a amostra final, os quais foram examinados de forma descritiva e analítica. Resultados e discussão: Os achados evidenciaram que fatores como fragilidade, sarcopenia, multimorbidade, polifarmácia, sedentarismo e inadequações ambientais aumentam significativamente o risco de quedas e de complicações associadas. Observou-se que a necessidade de internação em Unidade de Terapia Intensiva esteve frequentemente relacionada a traumatismo cranioencefálico, fraturas complexas e instabilidade clínica, configurando importante marcador de gravidade. Ademais, complicações como delirium, infecções, imobilidade prolongada e declínio funcional foram recorrentes, contribuindo para maior mortalidade, institucionalização e perda de autonomia. O impacto econômico também se mostrou expressivo, decorrente da permanência hospitalar prolongada e da alta demanda por cuidados de alta complexidade. Considerações finais: Conclui-se que as quedas em idosos representam um relevante problema de saúde pública e um dos principais determinantes da ocupação de leitos intensivos. A necessidade de cuidados críticos reflete, em grande medida, a interação entre vulnerabilidades clínicas e lacunas nas estratégias preventivas. Torna-se imprescindível fortalecer a Atenção Primária, ampliar o rastreio da fragilidade e implementar intervenções multicomponentes capazes de reduzir hospitalizações evitáveis, promovendo envelhecimento mais seguro e sustentável
Palavras-chave: Idoso; Quedas; Unidade de Terapia Intensiva; Hospitalização; Fragilidade; Saúde do idoso
Revista Brasileira Método Científico · ISSN 2965-8357