Vol. 3, No. 1 - Ano 2026

LESÕES POR PRESSÃO EM PACIENTES CRÍTICOS: O PAPEL DA ENFERMAGEM NA PREVENÇÃO E REDUÇÃO DE COMPLICAÇÕES CLÍNICAS NA UTI

Izabella Almeida Freitas Carvalho

Centro de Ensino de Saúde - CES

Resumo

Introdução: A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é um setor hospitalar que concentra pacientes em estado crítico, com elevada vulnerabilidade e risco de mortalidade. A Lesão por Pressão (LPP) constitui uma das complicações mais frequentes nesse ambiente, decorrente do período prolongado de internação, da restrição ao leito e da condição clínica dos pacientes, especialmente aqueles acamados, sedados e submetidos à ventilação mecânica. A LPP é considerada um indicador de qualidade da assistência de enfermagem, além de estar associada ao aumento do tempo de internação, infecções, morbidade e custos hospitalares. Objetivos: Analisar o papel da equipe de enfermagem na prevenção das lesões por pressão e na redução de complicações clínicas em pacientes críticos adultos internados em Unidade de Terapia Intensiva, identificando as principais intervenções preventivas e terapêuticas baseadas em evidências. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, conduzida seguindo as seis etapas propostas por Whittemore e Knafl (2005). A busca bibliográfica foi realizada nas bases de dados SciELO, BVS/LILACS, PubMed e Scopus, no período de 2001 a 2024, utilizando descritores como "Lesão por Pressão", "Cuidados de Enfermagem", "Unidade de Terapia Intensiva" e "Paciente Crítico". Foram incluídos artigos originais, revisões sistemáticas e estudos observacionais nos idiomas português e inglês, sendo excluídos editoriais, relatos de caso isolados e teses não publicadas em periódicos. Resultados e discussão: Os achados evidenciaram que a enfermagem desempenha papel fundamental na prevenção e no manejo das LPPs, com destaque para a utilização da Escala de Braden na avaliação de risco, a implementação da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), a mudança de decúbito a cada duas horas, o uso de superfícies especiais de suporte (colchões de espuma de alta densidade, pressão alternada e baixa perda de ar), os cuidados com a pele e o controle da umidade. No tratamento, a escolha do curativo adequado ao estágio da lesão (filmes transparentes para estágio 1; hidrocoloides, hidrogéis e espumas para estágio 2; desbridamento e curativos absorventes para estágios 3 e 4) mostrou-se essencial. Terapias adjuvantes como estimulação elétrica, oxigenoterapia hiperbárica e ultrassom terapêutico apresentaram evidências limitadas. A literatura demonstrou que a prevenção eficaz reduz complicações como infecções, tempo de internação e custos, embora as taxas de incidência no Brasil ainda permaneçam elevadas (12,7% a 14,9% em UTI). Conclusão: Conclui-se que a equipe de enfermagem exerce papel central e insubstituível na prevenção e no tratamento das lesões por pressão em pacientes críticos na UTI. A implementação sistemática de intervenções baseadas em evidências – como avaliação de risco, reposicionamento frequente, cuidados com a pele, uso adequado de superfícies de suporte e escolha criteriosa de curativos – é capaz de reduzir significativamente a incidência de LPPs, bem como as complicações clínicas associadas, incluindo infecções, prolongamento da internação e custos hospitalares. A Sistematização da Assistência de Enfermagem e a adoção de protocolos institucionais são ferramentas indispensáveis para a qualificação da assistência e a segurança do paciente crítico

Palavras-chave: Lesão por Pressão; Cuidados de Enfermagem; Unidade de Terapia Intensiva; Prevenção; Paciente Crítico

DOI: 10.5281/zenodo.20619119

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Revista Brasileira Método Científico · ISSN 2965-8357